A TEORIA DA REENCARNAÇÃO
(Excertos do livro Problemas Atuais)
(2ª PARTE)
Observemos, agora, a teoria da reencarnação sob outros aspectos. Uma da objeções apresentadas em contrário,
baseia-se de que nós não lembramos das vidas passadas. A objeção é de um simplismo pueril, pois, se só
tivesse existido aquilo de que nos recordássemos, muito pouco de nós restaria. Se tivéssemos que nos basear
na recordação, não teria existido nossa maturação como feto, nosso nascimento, nem os primeiros anos de
nossa vida. Da mesma forma, infinitas particularidades cotidianas, por nós vividas, não teriam acontecido,
porque as não recordamos, nem teriam existidos nossos tataravós, que não conhecemos. Se só fosse verdadeiro
o que está sob o controle direto de nossa consciência, não existiria a assimilação dos alimentos, a
circulação do sangue, a atividade da natureza, curadora nas enfermidades e reparadora no sono. Que grande
parte de nós mesmos nos escapa, se realiza sem que o saibamos! Acontece – mas as diretivas estão no
inconsciente – que não é falta de consciência, mas só uma consciência diferente, interior, subterrânea, que
trabalha sem nada dizer à consciência normal, de vigília; uma consciência profunda, que está em contacto com
as leis da vida e com o pensamento diretivo dela. É essa outra consciência, muito mais vasta que a cerebral,
de superfície, a que dirige a nossa existência cotidiana, à qual estão confiadas as maiores atividades e
diretivas da vida. É ela que transmite ao normal consciente, sob a forma de julgamentos sintéticos,
axiomáticos, de impulsos instintivos, as suas conclusões. Quando devem estas transformar-se em ações, o
impulso deve transportar-se do centro espiritual da alma ao centro cerebral do corpo, e só então o eu se
torna sabedor, na forma de consciência normal.
A consciência profunda aparece como inconsciência para a cotidiana que pouco lhe nota a presença. Mas é
daquela que emergem movimentos instintivos, raios de inspiração, intuições que a razão, depois procura
analisar e compreender. Essa consciência profunda, muito mais vasta que o eu a nós conhecido, contém muitas
coisas que escapam à nossa psiquê normal, feita para uso da vida no nosso mundo relativo. Essa psiquê normal
é como um olho menor, com que a alma percebe as coisas com visão microscópica, é uma função cerebral a
serviço do corpo. Mas tudo é um meio ou instrumento, para que o espírito possa vir em contacto com o
ambiente terrestre, meio que abandonamos com a morte física, porque esse órgão cerebral não serve mais ao
espírito, que lhe destilou os valores e absorveu o produto sintético.
Ora, esta menor consciência terrena, constituída por um funcionamento sensório periférico e por um
funcionamento cerebral central, ligados por meio do sistema nervoso,
só pode ser depositária dos resultados das experiências terrenas desta vida, isto é, das mais próximas e
imediatas sínteses menores, tudo em função do desenvolvimento dos meios sensórios e cerebrais. Partindo do
mundo virgem da realidade material exterior e do infinito pormenor do particular, esta é uma primeira
destilação que forma a história da vida atual, a de que nos recordamos. E nessa vida é lógico que nada mais
se possa recordar. Esta psiquê cotidiana é apta a conter sobretudo os produtos racionais da experiência. O
espírito sabe muito mais, e por sua vez concentra em síntese maiores as menores sínteses cerebrais de cada
vida, realizadas pela psiquê cotidiana, transporta e funde a memória particular de cada vida, na memória de
uma vida maior. Ora, esse espírito, na maior parte dos indivíduos do biótipo humano, está ainda adormecido
no inconsciente, e portanto incapaz de recordar, especialmente quando está fechado num corpo físico, cujas
funções superiores se limitam às atividades sensório-nervoso-cerebrais, sem saber subir evolutivamente mais
acima.
É assim que cada vida forma, durante sua existência, uma memória sua, separada das precedentes, dando dessa
forma a cada vida a sensação de ser a única. Os resultados de todas são registradas no espírito, mas estando
este ainda involuído, adormecido, adormecido no estado de inconsciência, a memória do passado permanece
profundamente sepultada no inconsciente, que ainda não despertou e, se pode aparecer em relampejos nos
estados hipnóticos ou mediúnicos, nas intuições ou na fase de desencarnação, perde-se essa memória de modo
absoluto no período da vida no corpo, quando a vitalidade deste assume a predominância. Somente nos casos de
seres muito evolvidos pode o espírito manter-se desperto mesmo no cárcere, debaixo do véu da vida física,
com força de lançar até ao plano cerebral jorros de intuição que revelem, com uma memória diferente da
normal, lembranças da vida anterior.
Temos, pois, duas memórias, a cerebral, que só abarca a vida atual, e a espiritual, que abarca todas as
vidas. O cérebro é um instrumento de registro só de impressões sensórias terrenas, e não vai além de sua
coordenação racional. O cérebro, pois, não pode conter outra memória além daquela de sua vida, antes da qual
ele não existia e depois da qual se desagrega. Para a grande maioria, a memória espiritual está sepultada no
inconsciente, e então não pode oferecer nenhuma recordação, pois não sabe funcionar nesta vida. Esta,
desenrolando-se no plano físico, só pode possuir uma memória
cerebral, que nada pode saber do que existia antes da formação do cérebro, que é o órgão em que se baseia.
Por isso, não se podem recordar em geral as vidas precedentes, e então se diz que elas não existiriam.
Trata-se de dois centros, um interior ao outro de natureza e com funções diversas. Um, o menos profundo,
analítico-racional; o outro, mais profundo, é intuitivo-sintético. Representa o primeiro uma série de
operações em curso, o segundo uma série de operações já executadas; o primeiro abarca a fase da aquisição
experimental das qualidades, mediante o embate contra as resistências do ambiente externo terreno, o segundo
abarca a fase de registro executado, e portanto da aquisição definitiva dessas qualidades, agora tornadas
próprias da personalidade. As instintivas manifestações atuais do eu, ainda que a consciência central delas
não guarde lembrança, são o resultado do passado em que foram preparadas e de que livremente foi lançada a
semente.
É verdade que a memória cerebral não nos dá a recordação analítica das vidas precedentes. Mas não há esta
forma apenas de memória. Permanece em nós uma lembrança sintética, no sentido de que não podemos explicar em
nós as idéias inatas, instintos, qualidades, tendências, se não admitido que a semente que agora desabrocha,
tenha sido por nós plantada em existências pretéritas, que cada marca tenha sido impressa naquela forma
específica, porque do nada não nasce nada, mas tudo nasce de um precedente do mesmo tipo e natureza sua. Não
podemos compreender nossa atual vida, senão como um desenvolvimento de estados precedentes, correspondentes
e proporcionados. Se quisermos limitar-nos apenas à memória cerebral, não conhecemos a causa de muitas
coisas que vemos em nós nascer do inconsciente, pois tudo o que somos e fazemos, mesmo no mundo analítico do
domínio cerebral, só se explica pesquisando-lhe as origens no mundo interior do espírito. Eis pois que, como
desenvolvimento e conseqüência, um passado emerge ainda que não em forma de memória direta, das
profundidades de nosso ser; pode-se reconstruir-se um passado remontando às avessas o caminho que da causa
desce ao efeito. Como do que fazemos hoje poderemos deduzir o que seremos amanhã, assim do que agora somos
podemos reconstruir o que ontem fizemos. Mais ainda, na primeira parte da vida, até o uso da razão, isto é,
até o controle cerebral nas diretivas da ação, age o homem por instinto, sem disso dar-se conta. Esse
período também, que parece irresponsável, é responsável pelo fato de que constitui apenas a conseqüência
automática dos impulsos, já queridos e postos em movimento na vida precedente; ao passo que na madureza, o
controle racional intervém com o poder de corrigir esses impulsos, iniciando novas rotas, com conseqüências
automáticas, ao menos da primeira parte, dita irresponsável, isto é, não controlada racionalmente, da vida futura.
O fato, pois, da falta de lembrança do passado, não prova nada contra a reencarnação. Uma memória de
natureza cerebral não pode abarcar o que foi sentido e pensado com outro cérebro que fazia parte de outro
corpo. É verdade que a matéria orgânica que constitui nosso organismo se renova toda quase completamente,
mas esta vai sempre substituindo a velha, de que conserva as mesmas características. As células de um novo
cérebro, numa nova vida, não são, em absoluto, o derivado orgânico das células cerebrais do corpo da
existência precedente, e portanto não pode sobreviver a este nenhuma memória direta, mas só uma diferente
memória espiritual, pela qual, ainda que nada recorde, tudo, como destilação de valores, em nós sobrevive e
nada se perde.
Se observarmos todo o procedimento, de perto, só podemos admirar quanto seja providencial este desembaraço
de uma barafunda de particularidades, inerentes ao mundo material, mas inúteis no mundo espiritual, a fim de
que permaneça, para a personalidade, apenas o essencial, o que vale mais. Só assim, libertada do peso das
escórias supérfluas, pode ela mais rápido continuar seu caminho. Uma lembrança analítica do passado
exercitaria enorme pressão sobre o presente essa recordação só pode
realizar-se à proporção que o espírito, evolvendo, se torna mais sensível, isto é, paralelamente à sua
purificação, o que é muito providencial porque isto quer dizer: à medida que se vai tornando mais leve o
fardo do passado carregado de erros. Dessa forma, cada um tem a sensação de começar nova vida. Sente-se por
isso mais livre e leve, ao passo que se tudo soubesse, ficaria carregado de recordações, de dúvidas e
problemas às vezes de rancores, que estorvariam seus movimentos. Não haveria a feliz ilusão da infância e da
juventude, pois parece que na Terra só se pode ser feliz na inconsciência. Podem-se assim gozar aqueles
períodos de repouso e, com mais esperança, enfrentar as fadigas de uma nova vida.
Como vemos, aqui nos movemos numa psicologia diferente da normal, levadas quase a pedir contas a Deus de
Seu modo de agir. É justo que a razão procure compreender. Mas também devemos compreender que nosso
pensamento não é absolutamente a medida das coisas que parecem não necessitarem de forma alguma de nossa
compreensão, para funcionarem por si de modo maravilhoso. Há, portanto, quase diria, outro aspecto de
conhecimento ou sabedoria, que não consiste em indagar para saber ou dominar, mas no abandonar-se a essa
infinita sabedoria que tudo rege. Aonde não chega nossa mente, há o pensamento de Deus onipotente que por si
resolve todos os problemas; há a corrente da vida que nos guia e arrasta. A maior parte dos seres humanos e
todos animais vivem, sem nada saber. Apenas obedecem os impulsos da vida, que para eles tudo sabe. Funciona
nosso corpo e se renova sem que nada saibamos, muitas vezes cura-se sozinho, e, colocada a primeira semente,
tudo se desenvolve automaticamente. Que é que nossa ciência e nossa vontade podem diante de tais maravilhas?
Não somos nós que vivemos autônomos e separados, mas é a vida que vive em nós. Por vezes atuam em nós tantas
maravilhas suas, sem que disso nos apercebamos. Doutras vezes intrometemo-nos com intervenções terapêuticas
no trabalho da natureza, só para prejudicar. Nossa vida é anterior ao nosso conhecimento e depende dele
muito pouco. Antes que cada um de nós nascesse, já existia o esquema de nossa estrutura orgânica. Existimos
antes de nos termos percebido disso. Não resta dúvida de que há uma imensa consciência cósmica, que sabe
fazer tudo e faz por nós tudo o que não saberíamos fazer. E nós queremos impor-nos a tudo. Mas aquela
consciência cósmica faz-nos saber que ela manda mais que todos. Que pode a razão diante do instinto e do
sentimento? O irracional, que no fundo é apenas o supra-racional que tudo domina, ri-se dos cálculos do
nosso racional, e lhe transmite suas ordens. Nunca somos nós, com nosso cérebro, que tomamos as maiores
decisões de nossa vida. Se assim é, como poderemos admirar-nos porque o mistério de nossas vidas passadas
foi todo confiado a essa sabedoria superior da vida, que já dirige, sem dar-nos conta, tantos de nossos
fatos vitais?
Observemos, agora, a teoria da reencarnação em relação à ciência. Pode-se dizer que Freud, sem querer, haja
dirigido seus primeiros passos para levar a pesquisa psicológica positiva ao terreno da reencarnação.
Fixando e aplicando o conceito do subconsciente, Freud afirmou e demonstrou a existência de uma atividade
espiritual que se não pôde exaurir na vida atual, mesmo se ele não
ultrapassou o limiar desta. Chegado a esse ponto em seu caminhar às avessas, ele embrenha pela
hereditariedade fisiológica, mas não nos dá disso as provas, nem podia no-las dar, de que a continuação
desse caminho para trás não podia tomar outra direção, diferente da assinalada no cérebro, experiências e
personalidades dos pais. De qualquer modo, Freud inaugurou um sistema que, levado apenas um pouco mais para
trás, leva-nos à vida precedente. Ora, é um fato que, se com a psicanálise, com a pesquisa para explicação
dos traumas psíquicos e depois pelo desmantelo das posições psicológicas erradas, andamos para trás até a
meninice e o nascimento, podem existir traumas e posições tão profundamente congênitas que para conhecê-las
e corrigí-las, precisaria remontar até suas raízes, que são tão profundas, que só podem ser achadas na vida
anterior ao nascimento. Trata-se de casos que, nem mesmo a vida dos pais ou avós nos mostra conter as
causas, e que se apresentam como fato pessoal do sujeito, cujas origens não podem, pois, achar-se senão em
sua vida individual antes do nascimento, desde que não sejam achadas na atual.
Há sinais característicos da personalidade, qualidades específicas inatas, feridas nervosa ou morais, se
que a vida presente do sujeito, como a de seus pais ou avós não nos dão explicação. Em tais casos, uma
verdadeira psicanálise, para ser completa, deveria remontar mais atrás nessa corrente de vida até aos tempos
anteriores ao nascimento do sujeito. Mas que caminho escolher? O da hereditariedade psicológica ou da
hereditariedade espiritual? A ciência ignora a segunda, mas temos motivos para crer que a personalidade
humana seja filha mais do segundo que do primeiro tipo de hereditariedade. A personalidade resiste, em suas
notas fundamentais que permanecem constantes, a toda contínuas mudanças do corpo físico, sujeito a um
metabolismo incessante. Uma entidade que, fundamentalmente, fica idêntica a si mesma, não pode derivar de um
organismo físico (dos pais) que não conhece essa estabilidade. O corpo se transforma sempre, o tipo do
indivíduo permanece; se este se transforma, suas mudanças são muito menores. O espírito permanece muito mais
estável e independente enquanto atravessa a viagem da vida. Ora, Freud dirigiu suas pesquisas no terreno
mesmo da personalidade, cujas atitudes não podem explicar-se cabalmente senão remontando a seu passado,
segundo a teoria da reencarnação.
Poder-se-ia dizer que os pais dão a matéria prima, a carne, o corpo, com algumas de suas características, e
que, nesta base material, se inocule a personalidade do filho, como um motorista em seu veículo. Então, à
matéria prima, recebida dos pais, o novo eu dá sua marca própria, o dirigente adapta a si o seu veículo. A
matéria prima, já elaborada pelos pais para eles mesmos, vem assim elaborada por outro eu para si mesmo.
Poderá então ocorrer também que um habilíssimo dirigente (personalidade evoluída) se ache na contingência de
ter que guiar um veículo primitivo, com órgãos defeituosos, que impedira a manifestação dos talentos do
sujeito. E também que um motorista sem valor algum se encontre a guiar um belo automóvel, que ele, em sua
ignorância, estragará totalmente. Ainda que a carne seja do mesmo biótipo familiar, ela se encontrará
desposada com diversos tipos de personalidade, no caso de cada um dos filhos,, mas isto sempre com uma base
de afinidade, sem a qual, fusão nenhuma pode formar-se. Se o corpo é mais forte que o espírito, vencerá a
carne, filha por herança fisiológica, dos pais, e a personalidade que a veste, será por ela rebocada: isto
é, a máquina prevalecerá sobre o dirigente e o indivíduo irá à deriva, à mercê das leis animais. Mas se o
espírito é mais forte, este dominará e plasmará à sua imagem a carne, filha dos pais, imprimindo-lhe as
características próprias.
Vimos na “A Grande Síntese”, o progresso da formação dos instintos e novas qualidades, com o método dos
automatismos, ou repetição habitudinária. A psicanálise no-lo confirma, ao percorrer o caminho inverso.
Evidentemente o espírito não é um edifício imóvel, uma entidade qualitativamente constante. A psicanálise
remontando para trás o caminho da vida, procura individuar os erros cometidos na fase que uma vida pode
abranger, erros de desenvolvimento da personalidade, para individuá-los e depois corrigi-los, apresentando-
os ao espírito em posição emborcada, para endireitamento das formas psíquicas contorcidas, que assim se
formaram. Em outros termos, diz Freud: “aqui erramos o caminho. Voltemos atrás e refaçamo-lo com um sentido
justo”. Trata-se de refazer um procedimento errado, tornando a fazê-lo de novo, substituindo a antiga, com
outra repetição habitudinária, com sacudidelas equivalentes e reequilibradoras em sentido contrário,
recomeçando em outra direção a formação de alguns caracteres da personalidade. Tudo isso é lógico e certo.
Mas, na prática, é bem difícil refazer uma vida revivendo-a de novo, corrigir erros devidos a lentas
adaptações, alterar qualidades de formação tão longa, que se estende até as vidas precedentes. Freud não se
deu conta de que, em alguns casos, se trata de intervir no determinismo de um destino que remonta a
semeaduras remotas, das quais não podemos impedir hoje a frutificação. Não se deu conta de que é inelutável
a Lei, segundo a qual tudo se paga. Não há psicanálise que possa evitar o aparecimento dos efeitos, quando
foram estabelecidas as causas.
Se o princípio é justo, na verdade é muito difícil descer e operar no subconsciente e demolir posições que se estabilizaram como qualidades adquiridas. Vemos as
religiões terem em vão lutado durante milênios para modificar os instintos animais do homem, sem tê-lo
conseguido. Tanto maior será essa dificuldade no caso individual, quanto mais profundamente essas qualidades
se imprimiram e se fixaram no espírito do sujeito; - e tanto mais elas aí se fixaram, quanto mais foram
repetidas, isto é, confirmadas pela prática da vida, que as aceitou e a elas se adaptou. E no entanto este é
o mesmo processo corretivo que usa a Lei, mandando-nos as provas opostas ao erro cometido. O método de
endireitamento pelo uso dos contrários é um velho processo biológico que a vida sempre usou para ensinar-nos
a não mais errar e a rearmonizar-nos na ordem da Lei. Se, por tudo isso, fica confirmado e justificado o
princípio da psicanálise, ela continua, tal como é concebida hoje, impotente diante dos processos
psicológicos profundos, que não são exauridos numa só vida, diante das psicoses cujas primeiras raízes se
firmam nas vidas precedentes, e que o ambiente da vida atual não basta para explicar. Por vezes, o trauma
psíquico não apresenta traços nos pais e se manifesta tão cedo e instintivo no sujeito, sem causas
exteriores que o possam justificar, que só pode ser explicado remontando a estados de existência
antecedentes ao nascimento, porque só neles pode tudo isso ter-se formado. Concluindo, a psicanálise não
será completa e solucionadora senão quando souber estender sua pesquisa até o terreno pré-natal, segundo os
princípios da teoria da reencarnação.
*
* *
Vistas assim as relações entre a psicanálise e a reencarnação,
enfrentemos outro aspecto da questão.
Observemos a estrutura das células germinais. O óvulo humano não chega ao tamanho de um ponto. Dentro de
uma camada de gelatina aquosa há um núcleo central mais espesso e mais escuro. Dentro dele acham-se 24
cromossomos, filamentos estriados horizontalmente com estrias claras e escuras. Estes cromossomos contém
cerca de 3.000 genes. Na cabeça ovóide do espermatozóide, que tem uma cauda como os girinos, há igualmente
um núcleo com cromossomos e genes. Essa cabeça é cerca de 40 vezes menor que o óvulo.
Cada filamento dos cromossomos é como um fio de pérolas, é uma serie longitudinal de genes. São assim duas
filas: uma de derivação materna e uma paterna. Um cromossomo é visível ao microscópio. Os genes são ainda
menores, de dimensões que escapam à nossa imaginação. Temos, então, uma multidão de genes dispostos aos
pares, ao longo de filamentos longitudinais. Esses genes do óvulo se combinam com os do espermatozóide
quando esses dois elementos se encontram e se fundem, e é essa
combinação que determina os caracteres hereditários do nascituro.
O número de genes já é representado por cifra astronômica. Imagine-se qual não será o de suas possíveis
combinações! Pense-se que, para cada óvulo existem de 200 a 500 milhões de espermatozóides, que partem
juntos à procura do mesmo. Mas, após poucas horas, permanecem vivos apenas alguns milhares, até que um
consiga atingir o óvulo e perfurar-lhe o invólucro. Então o espermatozóide perde a cauda, e a cabeça penetra
no óvulo, alterando-lhe a estrutura, com ele fundindo-se e iniciando o crescimento por divisão celular.
Ora, cada gene representa um caráter a reproduzir. Dada a disposição em pares dos genes, um materno e um
paterno, achamo-nos aqui, como dizíamos, diante da possibilidade de inumerável quantidade de combinações.
Pois, se é grande o número de genes, maior ainda é o número de seus possíveis encontros. A cada nascimento,
realiza-se uma combinação, diante de um inconcebível número que não chega a realizar-se. Aqui, na reprodução
dos caracteres da personalidade, achamo-nos diante de um sistema de
probabilidades, que nos recorda o que dirige o mundo da moderna física estatística e quantística. Isto,
porque as leis do ser tendem a unificar-se no mesmo princípio, tanto mais, quanto mais descermos em
profundidade, isto é, em direção ao centro. Neste caso, encontramos o mesmo sistema probabilístico quando
descemos na profundidade do mundo biológico, como do físico-atômico. Diante da reprodução dos caracteres da personalidade, achamos que o fenômeno escapa a uma regulação
determinística, para obedecer só as leis estatísticas ou de probabilidade, em que as livres irregularidades
de cada caso, por compensação nos grandes números, desaparecem numa regularidade coletiva. Assim lei se
realiza deterministicamente, mesmo deixando livre o indivíduo de mover-se como quiser em seu caso isolado.
Isto é possível, porque inumeráveis irregularidades livres individuais compensadas (caso isolado), podem na
massa, resultar numa obrigatória regularidade coletiva (lei da espécie).
No caso das combinações dos genes, significa isso possibilidade de inumeráveis encontros livres
individuais, mesmo permanecendo determinística a lei geral das distribuições dos biótipos por equilíbrios
étnicos, distribuição dos sexos, e qualidades dominantes, de massa. Isto significa, para cada tipo de
individualidade espiritual, a possibilidade de achar, à sua disposição, um número enorme de combinações, e
de poder escolher, qualquer que seja seu gênero, a combinação a ele semelhante, com a qual possa estabelecer
aquela sintonização por afinidade, que é necessária para que o espírito possa, num dado tipo de estrutura
orgânica, formar sua veste corpórea. Se a lei biológica é determinística em suas grandes linhas, é no
entanto tão vasta, que engloba, deixando-os ao mesmo tempo livres, os movimentos das unidades componentes.
Quanto à teoria da reencarnação, tudo isso quer dizer que não é uma alma de tipo genérico, como a que
deveria ser criada ao nascimento, sem um passado seu de formação, mas, ao contrário, é só uma alma do tipo
especifico, resultante do caminho que ela percorreu, a que pode sentir necessidade de achar, entre
inumeráveis combinações aquela que seja de seu tipo, ou seja, o germe do material orgânico afim, com o qual
possa estabelecer a sintonia indispensável para fundir-se com ele. Isso tudo careceria de sentido, e de nada
disso se teria necessidade, no caso de espíritos que se não definiram em suas qualidades, por uma própria
experiência terrestre precedente, os quais, só por isso, podem procurar e achar, nas combinações físicas dos
genes, a posição afim de sintonização, em relação ao próprio biótipo.
Uma alma que naquele momento nascesse de Deus, descendo diretamente dos céus do absoluto, completamente
ignara das condições do ambiente terrestre, não teria razão de escolher nas combinações dos genes – porque
jamais poderia achar, por mais variadas que fossem – aquela que pudesse sintonizar-se com uma natureza sua
sem precedentes terrestres. Para uma alma assim, há impossibilidade de achar qualquer afinidade no material
orgânico humano, para poder fazer com ele uma veste corpórea. Se, ao contrário vemos que a personalidade
espiritual demonstra, desde os primeiros momentos de vida, conhecer o ambiente terrestre, e estar
proporcionada a ele, em seus instintos e estrutura; e, dado que as combinações dos genes não podem, por sua
natureza sintonizar-se e fundir-se senão com um princípio espiritual afim a eles; se vemos que a vastíssima
amplitude de escolha permite a sintonização e fusão com qualquer
tipo de alma, que se defina nesse ambiente terreno, só nos resta, se quisermos explicar tudo isso, admitir
que essa alma já conheça a Terra, que aqui tenha sido formada com sua características, que têm um sabor bem
terreno e nada celestial, de imperfeição do involuído e não da perfeição
divina, como ocorrer se a alma tivesse saído naquele momento do seio de Deus. Pois neste caso não se
poderiam explicar aquelas imperfeições de involuído, nem uma vida de
provações para aperfeiçoar-se. Só nos resta admitir que essa alma aqui volte para desenvolver-se, num
terreno adaptado à semente. E dizer isso, é dizer: reencarnação.
Mas há ainda outro fato. A possibilidade de um tão grande número de combinações entre genes, poder permitir
que qualquer tipo de vivente venha à luz dos mesmos pais, isto é, que um tipo bom possa nascer de maus e ao
contrario. E assim se explica como isto às vezes aconteça. Mas se nem sempre acontece assim, antes, os
filhos tendem em geral ao assemelhar-se aos pais, isto não pode ser devido às infinitas combinações
possíveis dos genes, mas a algum outro fator importante. Isso só pode ser a lei de afinidade, que é que
preside à escolha, feita pelo biótipo que se vem encarnar numa determinada família e ambiente. Se as
combinações dos genes não podem absolutamente assegurar, por seu número extraordinário, a semelhança entre
pais e filhos, e se essa semelhança tão freqüentemente existe, não podemos dar-nos explicação desse fato
senão recorrendo à lei de afinidade, base da sintonia necessária à fusão espírito-corpo. Dizer isto, é
dizer: reencarnação. É então o princípio de afinidade que resulta o que as combinações dos genes não são
suficientes para regular. Eles então representam apenas o veículo dos caracteres preexistentes da
personalidade, que é o que escolhe aqueles determinados genes, como seu meio de expressão, e não é escolhida
por eles, que são apenas um meio e não a causa determinante.
Um corolário pode deduzir-se dessas verificações, ou seja, que é relativa a eugenética que propõe apenas a
reprodução dos biótipos escolhidos como sãos. Cada biótipo contém
todas as qualidades dos genes, oferecendo assim a possibilidade de se prestarem como veículos de qualquer
tipo de caracteres e dar a vida a qualquer gênero de personalidade.
Assim, os bons podem também os defeituosos e ao contrario. Nossa
eugenética só conhece o caminho da hereditariedade fisiológica. Mas as coisa acontecem de outro modo. A
enorme riqueza dos genes tem a função de oferecer a escolha mais ampla com qualquer tipo possível de
combinação. Quem faz a escolha, de acordo com o próprio tipo – coisa que a eugenética ignora – é o princípio
espiritual; ele que regula todo o fenômeno, proporcionando tudo às
da própria natureza, que já se definiu bem no ambiente terrestre e que a este volta para continuar o
trabalho aqui iniciado. E aqui também, se a eugenética observou que a saúde dos filhos depende da dos pais,
isto não é proveniente dos genes senão como efeito, ao passo que o que regula tudo é a lei de afinidade,
pela qual gente doente atrai como filhos espíritos doentes, e a sã espíritos sãos, que procuram e devem
construir-se corpos sãos, como sede proporcionada a eles. Por isso os tarados não deveriam gerar. Mas
infelizmente eles, como os involuídos, acham no nosso mundo o ambiente inferior que lhe é mais adequado. A
vida regula tudo, com leis segundo as quais a geração é dirigida por
princípios de caráter espiritual e moral. Mas, tudo isso, dada a sua
orientação, a ciência ainda não pode compreender.
A nossa tese, de que a escolha dos genes seja feita pelo princípio
espiritual, por afinidade, e que eles não são a causa, mas apenas um veiculo dos caracteres da
personalidade, é sufragada também por outra afirmações. Há, com efeito, alguns fatos biológicos que podem
fazer duvidar da validade do asserto, de que as diversas individualidades sejam devidas somente a diferenças
nas combinações dos genes. A própria união das duas células germinais pode produzir dois indivíduos
perfeitamente diferenciados. Este é o caso dos gêmeos monocoriais. Examinados objetivamente, suas
características originárias são tão semelhantes que podem considerar-se quase idênticas. E no entanto, elas
formam depois duas pessoas e individualidades bem distintas, no corpo, nas sensações como na consciência. A
morte de um não é a do outro, a dor de um não é a do outro. Trata-se, para cada um dos dois gêmeos, de um eu
separado. Mesmo se os caracteres morfológicos tendem à semelhança, as duas personalidades podem ser
diferentíssimas.
A isto a biologia não sabe responder. O que é certo é que, no caso dos gêmeos monocoriais, não é a natureza
da combinação dos genes a causa determinante. E então, como acontece que uma individualidade particular está
unida a uma particular combinação genética? Isto só pode explicar pela afinidade, base da sintonização
necessária à fusão espírito-corpo, como acima foi dito. O que nos leva a concluir que só podemos compreender
o fenômeno, admitindo que a marca individual deriva antes de tudo do princípio espiritual, que é quem
estabelece a personalidade, esta concepção desloca o centro de
gravidade da questão, do terreno material ao espiritual. Apenas este
ponto de vista é aceitável, porque apenas ele resolve tudo. Então resulta ser a individualidade humana uma
entidade que se forma e existe independentemente dos genes e de suas combinações. Independentemente,
significa que, se determinado nó, particular da trama, não se realiza, aquela individualidade citada vai
identificar-se com outro nó. Então, a relação entre os genes e o eu seria análoga à que existe entre o eu e
o ambiente, isto é, a combinação genética ajudaria o eu a determinar os próprios caracteres, mas não seria o
determinante exclusiva da personalidade do indivíduo.
Permanecendo no âmbito positivo apenas das considerações biológicas, o problema não é solúvel e permanece
um enigma, ao passo que tudo se torna claro se aí introduzirmos o elemento espiritual. Pode-se, então, como
conclusão sustentar o que se segue: a preexistência de um dado numero de individualidades espirituais já
constituídas com todas as suas características pessoais, prontas a combinar-se com um par de genes. Estas
estão ansiosas para fazê-lo e procuram os meios de combinar-se (veja capitulo seguinte). Esses meios são a
afinidade, pela sintonização de vibrações. Sendo esta uma qualidade
que se encontra na vida física como na espiritual, pode ela funcionar como denominador comum e ponte de
união entre os dois elementos que pertencem a dois planos evolutivos diversos. Nestas bases, pode realizar-
se a fusão, mediante a qual o eu espiritual torna a direção do desenvolvimento orgânico, adaptando a si
mesmo a matéria prima recebida dos pais. Esta formaria o ambiente que a nova personalidade adapta a si mesma e à qual se adapta, trabalho que é tornado possível pela
originaria aproximação, por meio da afinidade e da sintonia, e assim se explica porque essas duas condições
são necessárias para a fusão.
Então, verifique-se ou não uma particular combinação de genes, é mera circunstancia que, se faltar não
paralisa o fenômeno, pois que não tem valor determinante para a existência da individualidade, que é sua
verdadeira causa, mas tem apenas a função de fornecer-lhe uma base em que possa fixar-se, para formar para
si, com o corpo, um instrumento de ação e realização no plano
físico do ambiente terrestre. Se agora multiplicarmos o enorme numero de combinações possíveis de genes num
acasalamento, com o ilimitado numero de seres humanos e acasalamentos possíveis na Terra, veremos que cada
individualidade espiritual se achará sempre diante de uma tão vasta escolha de elementos, que, para qualquer
biótipo humano, será possível estabelecer por afinidade a sintonia e, portanto, fundir-se.
Este é o imenso trabalho escondido e silencioso que continuamente se realiza inadvertido, e que preside a
formação do feto. Tudo, é escolhido segundo as leis de atração. A escolha sexual, que tende à fusão
conjugal, precede estoutra escolha por parte do espírito, do ambiente apto à formação de seu corpo. Assim,
os egoísmos separatistas estão necessariamente ligados por atrações e reorganizações continuas, que reúnem e
fundem juntos os elementos separados, mantendo-os todos ligados juntos na unidade da vida. Por isso, as
diretivas do nascimento não são confiadas aos pais, simples instrumento instintivo e mecânico, que nada
sabe. Quem dirige o fenômeno é o elemento espiritual, ele, diretamente, se for bastante evoluído e portanto
consciente a tal ponto que o possa realizar; ou de outro lado é a sabedoria das leis da vida, quando o
indivíduo ainda não tem capacidade de escolha nem autonomia de julgamento. Neste caso, ele é preso
automaticamente à correntezas e por elas guiadas à posição que lhe compete, porque melhor a ele se adapta. É
sempre, portanto, o elemento espiritual que domina o fenômeno físico, e não ao contrario. Verifica-se assim,
a combinação genética, pela qual a personalidade espiritual se une ao corpo, seu instrumento de trabalho e
expressão, provisoriamente para realizar o processo inverso da separação do mesmo, quando houver terminado o
ciclo e o trabalho que deve. Eis, então, que também o mundo positivo da biologia não pode ser compreendido
se não à luz da teoria reencarnacionista.
Certamente não podemos pretender que a ciência positiva da biologia, dada sua orientação, possa sustentar
hoje essa doutrina. Logo que subirmos às alturas filosóficas das ultimas razões, a ciência costuma calar.
Mas, admitindo que, ao contrario, nos queremos ter a explicação dos
fenômenos; admitindo que a biologia não nos fornece nem uma doutrina positiva a respeito da relação das
individualidades com as combinações dos genes, nada explicando-nos sobre isso; admitindo, enfim, que existe
a teoria da reencarnação, já sufragada por tantas provas que a tornam certa e que, neste caso, ela explica
tudo, é bem lógico que nós a aceitemos, porque ela é uma solução e a melhor, e sem ela só nos resta
renunciar a compreender, numa triste posição de agnosticismo e ignorância. Não se pode ter outra atitude, quando é a própria ciência positiva que nos guia até a porta da
teoria reencarnacionista.
* * *
Os
problemas não podem ser esgotados e resolvidos só do ponto de vista positivo cientifico. Esta técnica, agora
examinada, da encarnação do espírito num corpo, no seu tipo especifico e adaptado de corpo, corresponde além
disso a uma necessidade lógica e filosófica, segundo o plano de criação, exposto no nosso volume: “Deus e
Universo”. Demonstramos aí, que nosso universo físico é o resultado da queda do espírito, da qual nasceu a
matéria e a forma. A encarnação repete essa queda cada vez que uma alma retorna ao corpo; e cada vida
representa uma etapa da subida, ao longo do caminho da evolução, e uma porção de fadiga e de dor com que é
ele percorrido, assim, realizando progressivamente a própria redenção. E assim, o homem recairá tantas vezes
no corpo e em seus castigos, repetindo o motivo da primeira revolta do ser rebelado, que fez ruir o universo
na forma física; e assim, permanecerá o homem tanto tempo submetido ao ciclo vida-morte, até que evolvendo e
reespiritualizando-se, tenha queimado, ardendo na chama de sua dor, a forma material que o aprisiona, e
tenha voltado à sua primitiva posição de puro espírito. Só as o ritmo vida-morte, iniciado com a primeira
queda, poderá ser lentamente absorvido e esgotar-se, até o regresso a Deus, lá onde se extingue a
reencarnação.
O que nos revela a observação objetiva, isto é, material e sensória da ciência, é uma pequena parte, uma
ilha que emerge de um continente submerso. A ciência positiva move-se no campo dos efeitos, mas escapam-lhe
as causa, que estão alhures. Ela não sabe o que é a vida porque não conhece o essencial, que para cada
coisa, para todas as formas do ser, é o espírito. A ciência para no corpo, mas como pode compreendê-lo se
não conhece o espírito que o anima? Esse corpo, em princípio, é uma célula. Ele cresce. Quem o faz crescer,
e por que o faz só até certo ponto? Do primeiro núcleo, desenvolve-se, por continua subdivisão e
multiplicação de células, um aglomerado em continuo aumento, sem que apareça o motor genético dele. Parece
um caos amorfo. Mas eis que, em certo momento, começa-se a delinear uma diferenciação na estruturas das
células produzidas, uma disciplina que dirige esta maravilhosa multiplicação. Cada célula obedece a
diretivas precisas, e pararão em grupos em certas zonas, para começar a construir certos órgãos ou tecidos:
o cérebro, o olho, o coração, os ossos, etc. deste maravilhoso e inteligente trabalho nasce o milagre do
organismo único, em que, por fim, se coordenam os resultados de todos os trabalhos parciais, em plena
eficiência de funcionamento orgânico. Em lugar da primeira desordem, é então entoada uma como orquestração
sinfônica, em que cada instrumento executa, em harmonia com todos os outros, a sua parte segundo a lógica de
um plano geral que rege tudo.
Ora, um trabalho tão sábio, não pode ser produto do acaso, tanto mais que ele se reproduz exata e
regularmente para cada ser que vem nascer na Terra. Quem os dirige, pois? Não é suficiente a ação dos
hormônios para explicar tudo isso. Mais do que a causa última das especializações, representam eles antes as
alavancas de comando, que fazem disparar um mecanismo já preexistente. Eles não bastam para dar-nos a
formação dos órgãos, mas apenas podem acionar alguns mecanismos que levam a esse resultado. Há, portanto,
independente deles uma forca diretriz inteligente que, segundo um seu plano ou esquema preestabelecido,
produz isso tudo. A morfogênese, ou seja, a origem das formas, mediante a qual a vida assume seus modelos
predeterminados, depende pois de esquemas preexistentes no mundo espiritual, sem o que essa morfogênese não
se explica.
O problema, agora, é o de saber como acontece tudo isso. Damos uma resposta conseguida por via intuitiva e
que a ciência poderá considerar como uma hipótese. Quando e como entra a alma no feto? Qual a técnica
fisiológica da reencarnação?
Partamos das duas células germinais, o espermatozóide e o óvulo. São dois seres unicelulares, cada um com
suas características individuais especificas. Enquanto o óvulo não sabe mover-se por si, o espermatozóide se
move com uma rapidez relativamente fantástica, de dois centímetros e meio cada oito minutos. Ele pode
continuar a nadar assim, por dois dias, realizando um trabalho que não tem paralelo em outros indivíduos
monocelulares. Demonstra bem que sabe que o óvulo é seu objetivo, porque executa os movimentos próprios para
realizar sua viagem nada fácil, a fim de atingi-lo. Das varias centenas de milhões de espermatozóides que
iniciam essa viagem, só alguns milhares se avizinham da meta, e só um, ou poucos mais, a alcançam.
Não se pode negar que existe neste pequeno ser uma vontade precisa e uma inteligência que dirige sua ação.
Demonstra ele, no trabalho em que está todo empenhado, que sabe superar não poucas dificuldades que lhe
armam ciladas, pondo obstáculos ao seu êxito. Os espermatozóides que vencem as varias centenas de milhões de
irmãos, deve tê-las superadas todas. Aqui também está em vigor a lei da seleção do mais forte, como nos
animais e no homem, demonstrando-nos que essa é uma lei geral. Quando enfim o espermatozóide alcança o
óvulo, perfura a barreira externa dele para penetrá-lo. Para consegui-lo melhor, trouxe consigo pequena
quantidade de uma substancia que tem a propriedade de dissolver esse invólucro protetor.
Como pode esse ser monocelular ter tal providencia, demonstrando saber tantas coisas? E esta é uma
inteligência especifica e especializada, própria dele e preexistente a ação. Vemos aqui a execução de uma
serie de atos coordenados, tendentes a alcançar um escopo preciso. Além disso, não pode negar-se que esse
ser esteja vivo; e vida quer dizer vontade e ação dirigida por uma inteligência. Há, pois, neste ser um
centro inteligente, seu próprio, que constitui “a vida” dele. Temos, pois, que admitir nele uma como pequena
alma, ainda que elementar, mas da natureza imaterial de que é feita a vida.
Eis-nos agora no ponto crucial: como ocorre a encarnação, isto é, como o princípio superior espiritual do
eu humano se funde na primeira célula e nas que dela derivam, para depois formar um corpo humano?
Creio que para responder, mister se torna recorrer à lei das unidades coletivas, que alhures mostramos
constituir o meio para formação unificadora das unidades menores, na construção das unidades orgânicas
maiores. Ocorre isto também na sociedade humana, nos sistemas
planetários e estelares, assim, como nos atômicos, moleculares, etc. Então o eu humano que quer reencarnar-
se, avizinha-se gradualmente, não como espaço, mas por afinidade vibratória, isto é, aos poucos se vai
sintonizando como princípio espiritual, com o princípio espiritual que rege, organizando o material
molecular atômico que as constitui, estas primeiras células do feto em formação, logo elas começam a
construí-lo. Estas representam o terreno que o eu humano utiliza para a sua manifestação futura. as duas
primeiras células germinais, a resultante da sua fusão e as outras que dela derivam depois, são como que os
tijolos do edifício que aquele eu vai construir para si, ou como os soldados do seu exército. Ele como o
engenheiro construtor, põe em ordem o material da edificação para fazer a sua construção ou, como um
general, disciplina seus soldados para deles fazer um todo orgânico. A comparação poderia repetir-se com o
caso de um diretor de um negocio, que enquadra os seus trabalhadores, etc., isto é, em todos os casos em que
um chefe assume a direção, coordenando os elementos de que dispõe, para fins superiores à vida e ao trabalho
deles como indivíduos.
Há, portanto, vários princípios espirituais que se não destroem
mutuamente, mas se coordenam por afinidade (vibração). Na união das duas células germinais e na primeira
multiplicação celular, o eu superior não trabalha ainda nem como engenheiro, nem como general ou diretor. O
trabalho de organizador de células ainda não é requerido, o edifício ainda é simples e basta o impulso de
cada célula e sua pequena inteligência para dirigi-lo. Mas nesse ínterim o espírito humano está cada vez
mais avizinhando-se, entendendo essa vizinhança como sintonização
vibratório, através do comprimento de onda da freqüência e do tipo de individuação cinética. Quanto mais se
complica o trabalho construtivo, mais ele necessita da ajuda de um diretor, por parte do eu superior. No
câncer, a multiplicação das células é anárquica, porque não existe
essa direção.
Eis então que esse eu superior, tendo em mira fins mais complexos, que não são alcançáveis pelas limitadas
inteligências de cada célula que quando ficam abandonadas a si
mesmas, como no câncer, se arruinam), começará a guia-las, a coordenar seu agrupamento à proporção que elas
se produzem, ou organizá-las em tecidos diferenciados destinados a funções especificas. Acontece então que,
enquanto o feto cresce e se define em suas varias partes, se é a inteligência celular que provê à
multiplicação do material, e se é o incônscio materno que a dirige e que preside o funcionamento elementar
mecânico como um prolongamento próprio, quem dirige a diferenciação em vários tipos de tecidos e a guia à
formação dos vários órgãos, preparando seu funcionamento, independente do da mãe, é unicamente a
inteligência do eu humano que se apresta para a nova reencarnação. Assim, a determinação do sexo, é feita
pelo espírito, conforme ele, dadas as suas qualidades, ache mais adequado para si viver num corpo masculino
ou num feminino.
É assim, que este se fabrica, sob sua própria direção, como um seu casulo; corpo do qual o espírito vai
tomando posse gradativamente, numa espécie de temporária colaboração com a mãe; corpo em que crescerá
definitivamente, tomando posse independente e destacando-se da colaboração materna, quando o feto nascer,
completamente construído, à luz. Então o corpo pertencerá todo e exclusivamente ao novo eu que se encarnou
e, como corpo foi formado à imagem e semelhança daquele eu que o plasmou, assim, também continuará a
desenvolver-se sob sua contínua influencia diretriz, para tornar-se cada vez mais sua própria forma, isto é,
sua mais exata manifestação exterior no plano da matéria.
Nesta sua forma física, pois, nosso eu se encontra sem recordar. Tudo se passou na zona dos automatismos
conquistados pela repetição muito longa e abandonados ao subconsciente. Acima destes, a grande lei
estabelece os ritmos maiores. Segundo esses ritmos, o eu vem depois, no fim da vida, executar o processo
inverso, e quando o organismo que se construiu se estraga, o espírito desprende-se dele, desencarnando. Logo
que este falta, e cessa sua ação diretriz aquele organismo abandonado a si mesmo, se desagrega. Achamo-nos
assim, donos de um corpo temporariamente, e no fim despojados dele. Ele é tomado como empréstimo à terra, à
qual devemos restituí-lo no fim, constituído de um material comum, que é de todos, e que nós mesmos amanha
poderemos tomar de novo por empréstimo, para uma nova reencarnação. Só o espírito é individualmente nosso. A
ciência não nos dá nenhuma explicação desse jogo. Só a teoria da reencarnação faz dele um processo lógico,
dando-lhe um significado profundo e uma meta final.
Podemos todos verificar que a personalidade é algo de muito mais vasto que as funções racionais e
cerebrais, contendo qualidades e elementos que as superam de muito. Dizer que o pensamento é uma secreção do
cérebro, é como dizer que a matéria seja a fonte da vida, a máquina elétrica a causa da eletricidade, que o
violino crie a musica e o relógio construa o tempo. No fundo de cada questão de fisiologia há, ao invés,
algo de impalpável que recua a medida que avançamos. Não pode ela reduzir-se aos fenômenos positivos da
física e da química. Há um elemento que não é matéria e que se chama
vida, há o pensamento que não pode limitar-se a um efeito mecânico. A teoria materialista da biologia não é
aceitável, portanto. Não podem ser entendidos os órgãos do corpo senão como instrumentos e condições,
organizados por um princípio superior para sua manifestação. No ser humano há um centro e há órgãos
periféricos. Estes fazem o trabalho de análise e de transmissão centrípeta. Aquele faz o trabalho de síntese
e de emissão centrifuga. Assim, o eu faz contato com o mundo externo, chega a conhecê-lo e reage sobre ele.
Esse eu não é apenas a central de recepção, repartição, controle psíquico e julgamento das mensagens
recebidas, mas é também a central diretriz das reações correspondentes a cada estímulo e transmitidas aos
órgãos do corpo. Também aqui aparece o dualismo, isto é, mecanismo equilibrado no binômio ação-reação, ou
seja, circuito constituído por dois semi-circuitos inversos e complementares: percepção e ação. A central do
eu é transmissora e receptora. Sem os sentidos, não poderia o espírito ler as mensagens que através deles
lhe manda o mundo externo. Se o espírito não fosse transmissor, não poderia enviar para o exterior, através
dos órgãos de seu corpo, as suas reações. À alma desencarnada, faltam os meios para perceber nosso mundo
como o percebemos nós, para fazer-se perceber por ele e para agir sobre ele.
Tudo isto é tão simples e evidente que a técnica humana reproduziu vários desses instrumentos e deles se
serve. Mas não sabe reproduzí-los ainda todos. Reproduzindo ainda outros, poderá fazer descobertas técnicas.
E vice-versa, reproduzindo artificialmente os que já sabemos imitar, será possível suprir à falta dos órgãos
físicos e assim, curar doentes em que esses órgãos se estragaram. Enfim, quando se conhecer toda a técnica
da estrutura dos meios sensórios e seu funcionamento até a central espiritual e os meios de conexão com
esta, será possível chegar a fornecer os meios de percepção e expressão em nosso mundo sensório às almas
desencarnadas. Será então derrubado o muro que nos divide com o além.
Por essa estrada poderá chegar à descoberta científica da alma, de uma alma que demonstra saber viver mesmo
sem corpo, além de saber viver na forma que todos conhecemos, em sua vida unida ao corpo. Ver-se-á, então,
que a alma não é uma abstração filosófica, teológica metafísica, mas é uma realidade objetiva com a qual a
medicina, à proporção que se aprofunda, terá que fatalmente que encontrar-se e que contar com ela. Só sendo
assim, compreendida, poderá a alma reentrar no âmbito dominado pelos métodos da ciência médica. A observação
anatômica dos corpos mortos não é suficiente. Trata-se aqui do fenômeno da vida, de que a anatomia é apenas
a casca e a conseqüência. É preciso remontar os caminhos sensóriais até o centro consciência. Sobrepujadas a
anatomia e a histologia, o segredo está na cinética atômica dos corpos químicos que compõem as últimas e mais apuradas células, do sistema, as nervosas, ou seja,
nos equilíbrios que se renovam sempre daquela química instável; e
subindo mais ainda, nas emanações dinâmicas, lançadas no espaço por aquela cinética atômica. Entramos no
terreno extra-sensório do telepsiquismo. É preciso alcançar essas radiações-pensamento que estão conexas com
aquela cinética atômica Nesta devem fixar-se movimentos rítmicos
ligados às leis cíclicas, em que deve basear a memória, o registro das impressões, a formação dos
automatismos e a aquisição das qualidades instintivas ou inatas. Deve aqui o médico aliar-se ao rádio-
técnico para individualizar essas radiações pelas características da onda (ultra-curta) e examinar seu modo
de comportar-se. Do estudo analítico desse feixe de ondas, reconstruir analítica e cientificamente a síntese
psíquica do eu que, mais acima ainda, escapa no imponderável. Poder-se-á, então, acompanhar o fenômeno com o
método da intuição nas dimensões superiores, que estão fora do domínio da ciência positiva. Para os
primeiros passos, situa-se o problema nas profundidades da química orgânica, da cinética atômica, de que
deriva uma diferente orientação das vibrações das correntes
noúricas: ou seja, problema de movimento nas trajetórias internas dos átomos componentes. Essas trajetórias
são linhas de força das quais se desenvolvem as emanações noúricas e nas quais se inserem as recepções
noúricas, imprimindo-lhes modificações que formarão os novos caracteres adquiridos pela personalidade.
Na “Grande Síntese” foi sustentada a tese das origens elétricas da vida,
pela qual a matéria evolvendo através das formas dinâmicas, da fase da energia b (beta), ascende, com a vida à fase
a (alfa), o espírito. Esta é a atual
ascese evolutiva que, como vimos no volume “Deus e Universo”, implica e pressupõe a inversa descida
involutiva da queda e desmoronamento do sistema, do estado de espírito ao estado da energia, e neste caso da
eletricidade, que continuará na forma de sistema nervoso a dirigir os organismos dessa vida; assim, no
processo inverso da queda – que o fenômeno da reencarnação repete em cada caso individual – o cérebro
constitui o órgão de inserção do espírito no mundo da matéria, o que quer dizer que o espírito, ao fazer-se
um corpo, se insere primeiramente no organismo elétrico deste. Com efeito, pelo cérebro começa a construção
orgânica do feto. A primeira manifestação física do espírito no útero materno começa, pois, na forma
dinâmica que, por ser a mais evoluída, lhe é mais afim. Ela, depois, recolhe em torno de si os materiais
orgânicos fornecidos pela célula paterna e pelo útero materno. Há, assim, uma lógica construtiva, dada pela
própria estrutura do sistema do universo, na operação que o espírito realiza, de revestir-se de uma casca
sempre mais densa; isto até que, no nascimento do feto, a forma física da matéria está completa e pode
começar a funcionar, como acima vimos, por meio dos sentidos, recebendo e transmitindo. Não há outros meios,
e o espírito não pode receber nem transmitir senão o que lhe permitem as possibilidades da máquina física em
que ele se consubstanciou. No fim da vida verifica-se o processo inverso, da libertação da casca por parte
do espírito, que leva consigo, registrados em seu sistema de forças como trajetórias dinâmicas, os
resultados da sua experiência na vida, transformados, dessa forma, em qualidades suas pessoais.
Assim, nascer é morrer, e morrer
significa nascer. E eis outra prova da reencarnação: porque não pode morrer, nascendo, senão quem estava
vivo; e porque, se morrer significa nascer, quem nasce dessa morte deverá de novo morrer, reencarnando-se
novamente. Tudo é rítmico e equilibrado no universo. O motivo da queda se repete em cada reencarnação,
porque tudo é regido por um esquema de tipo único que se repete em todas as alturas e em todas as dimensões.
Tudo se repete. Assim, a ontogênese repete a filogênese. Como no homem, que está no cimo da escala da
evolução terrestre, se repete a história da vida do planeta, assim, nas vicissitudes de sua vida repete-se o
motivo fundamental de sua queda. Ela é como um regresso à matéria, como uma contradição evolutiva do
sistema, a que se contrapõe o progresso realizado na vida e que, na morte se fixa na alma, como um novo
passo seu para o alto. Assim, caminha a vida: 1.º) a sua contração à descida do espírito na matéria, numa
sua forma dura, em que ele permanece prisioneiro das provações e das dores; 2.º) a expansão da vida na
libertação do espírito da matéria, enriquecido pelas provações superadas e pela nova experiência adquirida.
Assim, a morte não é igual para todos, e pode parecer para o involuído um fim doloroso, e ao evoluído uma
alegre libertação. A proporção, pois, que o ser evolve, liberta-se ele da morte, isto é, da conseqüência da
queda, transformando em alegria o sistema emborcado em dor.
A
teoria do pensamento produzido pelo cérebro baseava-se na localização das varias funções, de acordo com os
lobos cerebrais. Mas, se podemos encontrar localizações cerebrais para funções animais, não há
circunvoluções nem centro para todas funções superiores do espírito, como a inspiração artística, a intuição
cientifica e filosófica, as aspirações místicas e religiosas, a concepção dos ideais e das idéias abstratas.
Ao contrario, está provado que, em muitíssimos casos, a destruição de partes das zonas cerebrais não lesou
em absoluto as faculdades intelectuais. Se existe uma possibilidade de localização, refere-se ela às funções
inferiores mais elementares, mas se torna cada vez mais problemática quando se passa às funções espirituais superiores. O trabalho criativo, original, não se faz com o
cérebro, mas só com o espírito. Com o primeiro só podemos obter resultados de ordem analitico-racional, ou
uma erudita repetição de coisas velhas. O cérebro é um órgão de menor potência que o espírito, por este
usado para os trabalhos menores.
Mas
há mais. Lemos no volume “O problema da alma e da ciência de hoje”, de
Picone Chiodo, 1945: “Está demonstrado que, em circunstancias excepcionais, pode a inteligência
conservar-se íntegra apesar da destruição do cérebro. Desse modo cai inexoravelmente a hipótese gratuita
explicativa, formulada pelos fisiólogos, segundo a qual os lobos cerebrais que permanecem, suprem os
destruídos. Sucede que esses casos, sendo literalmente inexplicáveis por qualquer hipótese fisiológica,
arrastam ao báratro ingente das teorias erradas também aquela que afirma que o pensamento é função do
cérebro. Ao contrario, o órgão cerebral é permeado e dirigido em suas funções por algo qualitativamente
diferente, e só assim pode explicar-se como consiga conservar-se a inteligência, apesar da destruição
parcial ou total do cérebro”.
O
espírito extravasa por todos os lados os limites se seu meio, que ele utiliza e dirige. O cérebro é
empregado nos usos da vida, no contigente do ambiente animal. O espírito
sabe as coisas profundas e distantes, domina um campo muito mais vasto, de dimensões superiores às do
espaço e do tempo. Conhece a telepatia e a profecia. As funções cerebrais são de ordem inferior às
espirituais. O funcionamento cerebral não cobre absolutamente a totalidade do consciente. Pensar com o
cérebro, isto é, racionalmente, significa pensar de forma muito mais limitada, do que pensar com o espírito,
ou seja, intuitivamente. E quando se acreditou, por terem sido ofendidos os meios nervosos e cerebrais, que
tivesse sido lesado o espírito, porque se viam alteradas as funções espirituais, não se compreendeu que
tinham sido ofendidos e estragados apenas os intermediários de sua expressão em nosso mundo. Não é, então, o
espírito que fica alterado, mas só suas vias de comunicação e manifestação, só a mecânica de sua inserção em
nosso mundo material. Assim, os materialistas, vendo o órgão do espírito e não o espírito, e vendo na morte
a destruição desse órgão cerebral, crêem que, com isso, termine também o espírito. Mas a realidade é que
este não se desorganiza absolutamente, pelo simples motivo que seu órgão se perca. Se o espírito tem
necessidade dele para manifestar-se, pode entretanto existir sem esse meio de expressão, isto é, morre
apenas para nossos sentidos. Sabemos bem como é restrita a gama de vibrações que estes podem perceber. Eles
não são, de certo, a medida de todas as coisas. Então, o espírito pode muito bem existir em formas não
perceptíveis para nossos sentidos físicos, e continuar bem vivo, ainda quando a nós possa parecer morto. E
que coisa poderá fazer então esse espírito, que se elaborou com a vida no ambiente terrestre, se não
continuar depois a sua elaboração aqui regressando?
Como vimos, as provas em favor da tese reencarnacionista chega-nos convergentes e
decisivas, dos campos mais disparatados. No capítulo seguinte a examinaremos ainda sob outros pontos de
vista.
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